O Consórcio Intermunicipal Multissetorial do Vale do Piranga (CIMVALPI) inaugurou, nesta segunda-feira (1°), a Casa Dona Virgínia, nova unidade de acolhimento vinculada ao Programa de Proteção à Mulher do consórcio. O espaço foi criado com o objetivo de oferecer atendimento e suporte a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.
O início das atividades da Casa foi oficializado durante uma cerimônia realizada no Salão Cacau Mayrink, do Esporte Clube Palmeirense, em Ponte Nova. O evento reuniu representantes do Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Polícia Militar, Polícia Civil e autoridades dos municípios que integram o consórcio.
A cerimônia também contou com uma palestra ministrada pela juíza Deyse Baltazar, coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Durante a apresentação, a magistrada explicou que o Poder Judiciário, sozinho, não é capaz de lidar com todas as consequências provocadas pela violência contra a mulher. Para ela, é necessária uma atuação conjunta entre diferentes instituições e áreas, com a criação de mecanismos que ofereçam acolhimento e suporte às vítimas.
“O judiciário tem um papel de rapidamente tirar a mulher de uma situação de risco através das medidas protetivas. Mas isso é uma solução jurídica. Por exemplo: a medida protetiva não vai dar para ela um lar, não vai colocar comida na mesa dela, nem vai fazer com que ela consiga reorganizar sua vida. Por isso essa Casa é de fundamental importância para que a mulher tenha condições de criar autonomia para levar uma vida independente, fugindo do ciclo de violência”, explicou.
Programa de Proteção à Mulher
Pensando na necessidade de ampliar esse acolhimento, o CIMVALPI criou, por meio da Resolução nº 106/2026, o Programa de Proteção à Mulher. A iniciativa tem como sede a Casa Dona Virgínia.
Segundo o consórcio, o espaço foi planejado para ser mais do que uma unidade administrativa. A proposta é oferecer um ambiente de cuidado, proteção, promoção da dignidade e incentivo à autonomia de mulheres que estejam em situação de violência doméstica e familiar.
O presidente do CIMVALPI, Silvério da Luz, destacou a importância da abertura da unidade não apenas para Ponte Nova, município onde está localizada a sede do consórcio, mas também para as demais cidades consorciadas.
“Enquanto consórcio, não podemos atuar em favor de apenas um munícipio, mas sim de maneira coletiva. Por isso, ao longo dos próximos três anos, o CIMVALPI assume integralmente todos os custos relativos à implantação do novo programa. A intenção é mostrar para cada município a necessidade de se ter uma rede de apoio que funcione”, esclareceu.
Homenagem a Dona Virgínia
Outro ponto abordado durante a cerimônia foi a escolha do nome da unidade. A Casa Dona Virgínia presta homenagem a uma mulher que viveu em situação de extrema vulnerabilidade nas ruas de Ponte Nova.
De acordo com os registros apresentados durante a cerimônia, Dona Virgínia teria enfrentado situações de preconceito, humilhação e isolamento social ao longo de sua vida.
A escolha do nome busca resgatar sua memória e sua humanidade, além de ressignificar uma história marcada pela vulnerabilidade. A homenagem também pretende transformar a trajetória de Dona Virgínia em um símbolo da necessidade de acolher e proteger mulheres que enfrentam situações semelhantes.
Quem terá a responsabilidade de ajudar a transformar outras histórias será Adair Liberato, escolhida para coordenar a Casa Dona Virgínia.
À frente da unidade, ela afirma que o espaço já está preparado para receber e acolher as mulheres que precisarem de apoio.
“Através desse atendimento nós iremos fazer uma rede de proteção. Vamos avaliar qual é o melhor encaminhamento que essa mulheres poderão ter”, adiantou a coordenadora.
Texto e foto: Marcos Geovane