O Hospital Arnaldo Gavazza (HAG), em Ponte Nova, registrou um passo histórico na saúde da região. Pela primeira vez no município, um paciente recebeu a aplicação da polilaminina pelo SUS. O procedimento ocorreu na manhã do último domingo (8), no Bloco Cirúrgico do Gavazza, e foi realizado pelos neurocirurgiões e pesquisadores da polilaminina, Dr. João Elias Ferreira El Sarraf e Dr. Olavo Borges Franco.
Segundo o HAG, não houve intercorrências no procedimento cirúrgico. Após a aplicação, o paciente Alexander Marques foi encaminhado ao CTI, para observação. O hospital informou que o jovem está internado há mais de dois meses e apresenta quadro de tetraplegia. Segundo apuração da Rádio Ponte Nova, o homem sofreu um acidente em 26 novembro do ano passado, em Viçosa.
A substância foi aplicada de forma experimental com a expectativa de estimular a recuperação dos movimentos. Segundo os especialistas, quanto antes a medicação for aplicada, maiores são as chances de resposta, considerando o tempo de lesão. Ainda sim, os resultados variam de acordo com cada paciente.
O composto foi fornecido pelo Laboratório Cristália, por um processo de concessão especial, medida acionada quando não existem outras alternativas terapêuticas disponíveis para o paciente. O pedido foi encaminhado inicialmente ao laboratório e depois para a autorização da Anvisa. No caso do jovem viçosense, a Justiça também foi acionada para solicitar o acesso ao medicamento.
Após a aplicação da polilaminina, Alexander precisará passar por sessões de fisioterapia intensiva. Com o objetivo de arrecadar recursos para custear essa e outras etapas do tratamento, foi criada uma vaquinha solidária. Os interessados podem contribuir neste link. A campanha está sendo organizada por Raquel Marques Magela.
Conheça a substância
A polilaminina é uma rede de proteínas que foi desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pela professora e bióloga Tatiana Sampaio, a partir da laminina – uma proteína da placenta com alto potencial para a regeneração dos axônios no sistema nervoso-.
A substância é injetada diretamente na medula espinhal e é projetada para tratar lesões medulares agudas, ao promover que os neurônios cresçam e estabeleçam a comunicação entre o cérebro e o corpo. Com isso, o composto pode auxiliar no retorno aos movimentos do corpo de pacientes com essa condição.
Texto: Êmily Reis
Imagem: Ascom/HAG